Pensamentos aleatórios

15 de janeiro de 2018

Adubo bom!!!


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O cinismo dá o tom da política na era Temer


Por Cileide Alves, no Trendr.

Durante toda a minha carreira como jornalista na cobertura política trabalhei para contar com transparência absoluta o bastidor da política no Brasil. E isso incluía jogar luz na parte obscura da atividade, no toma lá dá cá, nos interesses oligárquicos, nos negócios lícitos ou ilícitos, no descompromisso de autoridades com o sofrimento e as carências da população; no apartheid entre eleitos e seus eleitores, enfim na política como ela é.

Não por puro moralismo, esse refúgio onde se protegem aqueles, políticos ou não, que fazem indignados discursos públicos contra a moral alheia, mas atropelam a ética em recintos privados. Acreditei que tornar conhecido o modus operandi da política provocaria dois movimentos distintos: 1) bem informadas, as pessoas reagiriam contra as regras do jogo e interviriam nele; 2) os políticos se incomodariam de serem vistos encenando um teatro farsesco em palco iluminado diante de uma plateia lotada.

Minha geração de jornalistas começou a cobrir a política depois da redemocratização do país. Herdou o trauma da censura à liberdade de imprensa de colegas da geração anterior que foram obrigados a fechar os olhos ao backstage da política durante os sombrios anos da ditadura militar. Com eles, minha geração aprendeu que o brilho do sol é um forte antídoto contra as bactérias que se proliferam em ambientes fechados e escuros.

Passados mais de 30 anos da redemocratização, minha geração percebe que nada disso aconteceu. Os políticos se reinventaram, ou, melhor dizendo, adaptaram a prática política ao ambiente de luz, tal qual uma bactéria aprende a se proteger e a sobreviver a um forte combate de antibióticos. No backstage, os políticos faziam política sem povo, apesar do discurso populista — repetido por partidários da esquerda, passando pelo centro até checar à direita –, de que agiam pelo povo e com o povo.

Ao longo desses anos, o jornalismo político mostrou que não era bem assim. Posteriormente, as investigações policiais e do Ministério Público (mensalão, Lava Jato e tantas outras operações com nomes pomposos ou anônimas) completaram essa exposição. Mas o esperado, a reação da sociedade e o consequente recuo dos políticos, não ocorreram. Diferentemente, a população, sim, recuou e os políticos avançaram.

A disputa judicial do presidente Michel Temer (MDB) e do PTB para garantir a posse da deputada federal Cristiane Brasil (RJ) no Ministério do Trabalho, diante de um Brasil perplexo, reflete essa nova fase da política. Não há mais necessidade de encenação. Agora os políticos sentem-se livres para jogar o jogo que sempre jogaram às escuras.

Temer aproveita-se de sua impopularidade, aliás usa-a em suas jogadas políticas. Como é um exímio jogador, daqueles que jogam sem culpa, ele nem mais precisa fingir que se preocupa com o povo. Este não o aprova mesmo, então elimina-o da partida. Um presidente da República tem de construir sua governabilidade, mas Temer faz mais do que isso. Ele divide o poder exclusivamente com o Congresso Nacional, aliás, mais especificamente com a Câmara dos Deputados, pois até mesmo o Senado perdeu relevância em seu autoral regime de governo, o tosco semipresidencialimo.

Revoltado com o que assiste, o povo bateu-se em retirada. A população brasileira age como mero espectador deste sofrível espetáculo, abandonando a plateia da grande arena da política. Tornou-se convicta de que política não é para gente do bem e deixou o campo limpo para quem joga em nome de interesses escusos. Esse talvez seja o grande legado da era Temer, do pós-Lava Jato e do pós-impeachment de 2016: convenceu o público a desistir da política, a renunciar a seu direito de jogar, como se desliga a televisão diante de uma partida de futebol de quinta categoria ou abandona a seleção brasileira depois de uma trágica derrota por 7 a 1 em Copa do Mundo. Sem o povo, os que se utilizam da política não precisam mais fingir, como faz Temer no caso da luta judicial para empossar Cristiane Brasil.

A minha geração de jornalistas errou na cobertura da política e também contribuiu para esta realidade. Não por denunciar as irregularidades, pois isso era necessário. Errou por ter mirado apenas neste alvo, sem investir em um jornalismo que também ajudasse a construir, a empoderar as pessoas para lutarem por políticas públicas essenciais a sua vida.

O jornalismo político pós-redemocratização contribuiu com o atual moralismo exacerbado que formou pessoas revoltadas e não cidadãos conscientes. Os revoltados não mudam o mundo. A ação de ler, esbravejar e se enfurecer sacia a indignação. Depois deste gozo individual vem a paralisa: a pessoa desliga a luz da arena política e vai para casa dormir em paz. No dia seguinte repete o processo de revolta/catarse/paralisia para, aos poucos, convencer-se de que política é para os políticos profissionais. É para Temer, para Roberto Jefferson, presidente do PTB; para Jovair Arantes, líder do PTB, para citar apenas os personagens principais do embate pelo Ministério do Trabalho.

A nova geração de jornalistas — muitos deles nativos digitais e com ferramentas bem mais poderosas de apuração da informação e publicação de conteúdo — encontra-se diante do desafio de reorientar os rumos da cobertura política para, no futuro, o país trocar seus revoltados por cidadãos. A minha geração tem o que aprender com a nova e, em troca, oferece a experiência de quem, mesmo errando, construiu uma transição entre o jornalismo censurado dos anos da ditadura e o jornalismo do século 21. A eles deixa o legado da luta pela transparência das informações públicas. A sociedade precisa agora aprender o que fazer com elas.

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10 de janeiro de 2018

Retrato do Brasil


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João Antônio vem aí...

Com informações dos blogs ZAP Catalão e Blog do Pidim:


Após anos de postura combativa na oposição, recentemente, o jornal “O Catalão” anunciou que o ex-vereador do PSDB, João Antônio (Sem Partido), irá “jogar no time” do prefeito Adib Elias (MDB). A possível decisão de João Antônio veiculada pelo jornal causou espanto aos membros do MDB nos últimos dias, que foram pegos de surpresa já que, segundo eles, “o ex-parlamentar se destacava dentro da militância tucana como um exímio articulador do ex-prefeito Jardel Sebba (PSDB) .”

João Antônio sempre foi considerado um dos melhores estrategistas políticos da gestão Jardel Sebba, com as suas astutas articulações, grande influência nas decisões enquanto presidente do PSDB em Catalão, é de se surpreender a sua decisão de abandonar as fileiras oposicionistas do prefeito Adib Elias, já que suas raízes pareciam estar sólidas no PSDB.

Pelo que tudo indica, não há nenhum erro com sua decisão ou que trará prejuízos políticos ao ex-vereador tucano já que o mesmo no final do ano passado já foi recebido no gabinete do prefeito Adib Elias, e este por sua vez, exigiu em um café de confraternização com parte de seu secretariado que o recebessem de bom coração ao grupo político MDBista.

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Entrevista: Edward Madureira, Reitor da Universidade Federal de Goiás


O novo reitor da Universi­dade Federal de Goiás (UFG), professor Ed­ward Madureira Brasil, empossado no MEC na segunda-feira, dia 08, em entrevista concedida ao Diário da Manhã falou sobre os desafios e perspectivas para a gestão da instituição, cuja cerimônia de transmissão de cargo ocorre na próxima sexta-feira, dia 12, em Goiânia. 

Edward já ocupou o cargo entre 2006 e 2014, por dois manda­tos. Diante das restrições orçamentárias, que tiveram início em 2015, o professor alega que o de­safio é manter a universidade em funcionamento, sem perder a qualidade, já que o governo federal não tem sinalizado pos­sibilidade de aumento de verba.

No primeiro trimestre de 2015, a previsão orçamentária era de R$ 28 milhões para pagamen­to de custos. Porém, com o cor­te de gastos, através de decre­to baixado pelo governo federal, o valor repassado foi de apenas R$ 19 milhões, que representa um déficit de 33%. Desde então, a instituição passou a sofrer com atrasos das contas de água, luz, telefone, salário dos funcioná­rios terceirizados e repasses de bolsas de incentivo à pesquisa e extensão universitária.

“O cenário de agora é diferen­te, nós vamos ter que lutar para ter um orçamento que dê para manter a universidade. O governo não sinaliza perspectiva de cres­cimento. Com a restrição coloca­da pelo regime fiscal, que limi­ta os gastos do Executivo, a gente não vê perspectiva de crescimen­to. Com um orçamento reduzido que não dá para fazer a manuten­ção da universidade, nós vamos ter que fazer a universidade con­tinuar funcionando sem perder a qualidade”, planeja o futuro reitor.

Sobre a segurança nas depen­dências do câmpus, que foi ques­tionada sobretudo após o assas­sinato de um estudante durante uma festa universitária, o reitor disse que vai prosseguir implementando as políticas de se­gurança desenvolvidas pelo últi­mo reitor, o professor Orlando Sil­va do Amaral. “No mandato do professor Orlando, foi constituí­da uma comissão de especialistas das mais diferentes áreas para um diagnóstico e proposição de uma política de segurança na univer­sidade. Esse diagnóstico estava sendo desenvolvido muito antes desses incidentes lamentáveis”, comentou Edward.

Dentre as medidas de segu­rança previstas, estão melhorias na iluminação interna, contro­le de acesso às dependências do câmpus, campanhas educativas e até a o relacionamento da UFG com órgãos de segurança pública, que o professor qualificou como “uma questão delicada”. A me­dida é fruto de críticas porque prevê a atuação da Polícia Militar nas dependências do local. Inte­grantes do movimento estudan­til alegam que a presença da PM não será solução para o proble­ma e que poderá gerar ainda mais conflitos e mortes. Esses estudan­tes defendem a criação de uma Guarda Universitária e um siste­ma de segurança universitário.

Outro problema apontado pelo gestor é a insuficiência de técnicos­-administrativos. Para ele, o quadro de professores atualmente é satisfa­tório, mas falta pessoal na área téc­nica-administrativa.

O principal lema da campanha para reitoria de Edward Madureira foi o estreitamento das relações en­tre a universidade e a sociedade. O gestor afirma que vai investir nas re­lações com setores fora da institui­ção, seja público ou privado. Ainda na gestão de Orlando, a UFG assu­miu a elaboração do plano diretor da Região Metropolitana de Goiâ­nia, que foi entregue em dezem­bro. “O serviço de zoneamento eco­lógico de todo o Estado e o plano de saneamento básico também serão feitos pela UFG e estamos em dis­cussão com a Saneago a proposta de um diagnóstico de revitalização do Meia Ponte”, afirma Madureira.


ENTREVISTA:

Nas suas últimas gestões (2006- 2014), a UFG passava por um momento bastante diferente do atual, principalmente no quesito financeiro. O que vai mudar nessa próxima gestão, frente a esses novos desafios?

Administrar a universidade em qualquer circunstância é extre­mamente desafiador. Com poucos recursos não é fácil também por­que se você não tiver uma equi­pe que vai conseguir fazer uma execução orçamentária bem fei­ta, você não consegue avançar. Na época [que foi reitor da UFG] coloquei a UFG entre as univer­sidades que mais avançaram no ponto de vista de qualquer as­pecto que a gente possa avaliar.

Nós vamos buscar alternativas. A primeira delas, é claro, sensibi­lizar o próprio governo porque ele precisa entender o papel que a universidade tem no desenvolvi­mento. A ideia é criar uma grande frente em defesa das universida­des para que a gente tenha uma excepcionalização pelo menos da educação e tecnologia diante des­se incentivo fiscal que estrangula o setor público brasileiro.

É preciso colocar também que o crescimento que a universida­de teve não foi só quantitativo, mas foi qualitativo. Hoje a gen­te tem cerca de 2.500 professores. Naquela época tínhamos 1100. Hoje temos 200 doutores e mais de 500 mestres entre os técnicos administrativos. Essa força de trabalho está pronta para dar uma resposta à sociedade.

A segurança no câmpus tem sido um dos problemas mais levantados pela comunidade universitária. Como você pretende lidar com esse problema no câmpus? E o tráfico de drogas?

No mandato do professor Or­lando foi constituída uma co­missão de especialistas das mais diferentes áreas para um diag­nóstico e uma proposição de uma política de segurança na univer­sidade. Esse diagnóstico ficou pronto e estava sendo desenvol­vido muito antes dos incidentes lamentáveis, como a morte da­quele estudante e outras coisas desagradáveis. Esse processo fi­cou pronto e já no mandato do professor Orlando ele vem sen­do implementado de maneira bastante eficaz.

Melhoria da iluminação, con­trole de acesso, campanhas edu­cativas e até a questão sempre mais delicada de relacionamento da universidade com os órgãos de segurança. É sabido da pre­sença de traficantes dentro da universidade e esse tratamento tem que ser feito junto com os órgãos de segurança.

Que outras fragilidades você enxerga na universidade nesse momento, além da segurança e questão financeira?

A gente tem um quadro de pro­fessores razoável, compatível com nosso tamanho, mas o quadro de técnicos está aquém das nossas necessidades. Assim como algu­mas outras questões internas, es­tamos criando estruturas especí­ficas para tratar desse assunto.

A área de Tecnologia da Infor­mação (TI) vai crescer com uma atenção especial. Estamos crian­do uma secretaria para cuidar especificamente da TI, reunindo os órgãos, que já existiam, nessa secretaria, que vai pensar uma política de informática para a universidade com objetivo de agi­lizar os nossos processos.

Como você avalia a última gestão?

O professor Orlando conseguiu fazer uma travessia que talvez outro não conseguiria. A univer­sidade estava crescendo, expan­dindo, com as pessoas cheias de expectativa e de repente a gente tem uma inflexão, uma parali­sação de várias políticas do go­verno federal. Houve um contin­genciamento da universidade junto ao MEC e coube ao profes­sor Orlando não deixar a uni­versidade parar. Ela continuou crescendo, estamos numa situa­ção em que praticamente nenhu­ma obra está paralisada, tal­vez tenhamos uma ou duas, mas ele garantiu a continuidade da maior obra da história da UFG que é o Hospital das Clínicas, que deve ficar pronta esse ano.

Como ficará a situação das regionais de Jataí e Catalão, que se tornarão universidades autônomas?

Acredito que esse ano vai ser implementada a lei que transfor­ma esses câmpus em universida­de. Acredito que ano que vem, no máximo, nós já teremos as duas universidades desmembradas da UFG e já em funcionamen­to como unidades autônomas. Agora eles vão viver um novo momento, num diálogo direto com o MEC. Hoje esse diálogo é intermediado pela Reitoria.

Não terão mudanças substanciais em termos de orçamento, a UFG já considerava como unidades autônomas. O orçamento já era dividido proporcionalmente com as regionais. Eles vão receber um quantitativo de técnicos-administrativo e vão receber as funções para os cargos de confiança e que recebem gratificações, como reitor, vice-reitor, pró-reitor, diretor de órgão ou unidade etc.

Como as eleições estaduais e federais de 2018 podem impactar na realidade da UFG?

É muito difícil fazer qualquer previsão nesse cenário tão incerto do quadro das eleições de 2018. É claro que a Universidade depen­de decisivamente do presidente da República e do ministro da Educação, mas as universida­de federais hoje têm um papel muito grande na sociedade e a gente acredita que nós enquan­to instituições por intermédio da nossa associação apresentare­mos a nossa pauta, proposta de financiamento.

Esperamos sensibilizar o fu­turo dirigente da nação em re­lação ao papel que as universi­dades desempenham. Claro que temos apreensão com relação a isso, mas a gente também sabe do potencial que as universidades têm para contribuir para o desen­volvimento do País e como essas instituições são por natureza su­prapartidárias, elas conseguem dialogar com qualquer governo.

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