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Pensamentos aleatórios

18 de setembro de 2014

Festejando o sucesso no IDEB em Goiás

Compartilho logo abaixo o desabafo do amigo Gabriel de Melo Neto, professor efetivo da rede estadual de ensino, feito hoje em seu perfil no Facebook, sobre uma determinação da Secretaria Estadual de Educação para que as escolas comemorem hoje (18/09) o "sucesso" de Goiás no Indice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), em que nosso estado saiu na quinta colocação e está primeiro lugar entre as Unidades Federativas do Brasil.
 
O detalhe é que o índice (cujos defeitos na metodologia não o tornam confiável para avaliar a qualidade da Educação) não subiu expressivamente, o que ocorreu é que Goiás foi beneficiado com a queda dos quatro primeiros colocados, mas isso o "Melhor Governo da Vida dos Goianos" esquece de mencionar.
 
Segue o desabafo de Gabriel:
Car@s amig@s, no dia de hoje por determinação da Secretaria Estadual de Educação, as escolas estaduais estão "Festejando o sucesso no IDEB" em Goiás. Deixo claro aos/às meus/minhas alunos/as, aos seus familiares e para a sociedade em geral que eu como Professor NÃO tenho nada para comemorar.

Trabalho na educação há mais de uma década e quando vejo o Governo Estadual e os seus simpatizantes afirmando que a educação está melhor atualmente, fico indignado e extremamente preocupado com a quantidade de pessoas que acreditam nisso.

Tenho clareza que não é necessário gastar muita saliva para demonstrar os graves problemas da Educação. Basta passar algumas horas dentro de uma escola que qualquer pessoa honesta é capaz de chegar em tal conclusão. Afinal, o que estão comemorando:

a) Os números fantasiosos de um IDEB construídos a custa da violação da autonomia de professores/as que são obrigados a darem notas e aprovarem alunos sem qualquer critério, apenas para melhorar os índices de baixas notas e reprovação?

b) As salas de aula superlotadas, sem conforto térmico que muitos de forma correta chamam de "sauna de aula", e quando chove temos verdadeiras “cachoeiras”?

c) As matrículas que são canceladas ou as "transferências compulsórias" quando o aluno não frequenta aulas para maquiar a verdadeira evasão escolar?

d) Os direitos trabalhistas retirados de forma violenta, como o caso da Titularidade, com perdas salariais que ultrapassam R$ 30 mil por professor/a em 3 anos?

e) A escola que mais parece uma Fábrica mergulhada na burocracia, cheia de relatórios, fichas, planilhas, metas, prazos... determinado de forma absolutista por pessoas que não conhecem a realidade da educação, pois muitas não entram em uma sala de aula para lecionar há vários anos ou nem professor são como é o caso do ex-secretário ECONOMISTA?

f) As perseguições contra os professores e servidores que questionam os desmandos ou simplesmente externam as suas opiniões?

Como professor, pela formação humana, democrática e respeitosa que recebi de muitos professores/as que tive ao longo da minha vida, me sinto na obrigação de falar a verdade e trabalhar por uma sociedade justa, defendendo o direito dos meus alunos e de suas famílias terem um futuro melhor através de uma Educação com Qualidade. 
 

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