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Pensamentos aleatórios

15 de junho de 2015

O Popular denuncia: farra dos funcionários fantasmas na Assembleia Leguslativa de Goiás começou em 2007. Adivinhe quem era o presidente na época?

 

Compartilho o texto de hoje da coluna Cena Política, do jornal O Popular, assinado pela competente e séria jornalista Fabiana Pulcineli, esclarecendo em que pé está a Operação Poltergeist, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás para investigar a contratação de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa de Goiás expõe que, embora a Operação tenha surgido a partir do gabinete do ex-deputado estadual Daniel Messac (PSDB) e esteja focada nele, a maior parte das contratações de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa ocorreu por meio do diretor Milton Campos, braço direito do ex-deputado Keneddy Trindade, nomeado em 2007 como diretor-geral da Casa, pelo então presidente Jardel Sebba (PSDB), hoje prefeito de Catalão.

Confira na íntegra:

Para ir além
A segunda denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), de maio deste ano, avaliada em conjunto com a primeira, de abril do ano passado, mostra que, embora a Operação Poltergeist tenha surgido a partir do gabinete do ex-deputado estadual Daniel Messac (PSDB) e esteja focada nele, a maior parte das contratações de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa ocorreu por meio do ex-diretor-geral da Casa Milton Campos.

Dos 35 novos denunciados por serem fantasmas, 70% tiveram suas nomeações viabilizadas pelo ex-diretor, o que sinaliza que os esquemas podem ir além de apenas um parlamentar.

Milton Campos chegou à Assembleia em 1999 como assessor do ex-deputado estadual Kennedy Trindade, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Kennedy não disputou reeleição em 2006, mas continuou na Assembleia em cargo de peso: diretor-geral, nomeado em 2007 pelo então presidente Jardel Sebba (PSDB), hoje prefeito de Catalão. Seu braço-direito, Milton virou chefe de sua assessoria.

Foi em 2007 que, de acordo com o alcance da investigação do MP, começou o esquema de contratação de fantasmas. Foi também de 2007 para 2008 que a Assembleia registrou salto de mais de mil comissionados na Casa, segundo dados oficiais. Dali em diante, chegou a ter 3,5 mil comissionados.

Em agosto de 2010, Kennedy licenciou-se do cargo para atuar na campanha do então senador Marconi Perillo (PSDB) ao governo e logo depois virou conselheiro do TCE. Foi substituído por Milton, nomeado na gestão do sucessor e aliado de Jardel, Helder Valin (PSDB), hoje também conselheiro do TCE.

Saiu Valin, entrou Jardel. Saiu Jardel, entrou Valin. E Milton continuou diretor-geral. Era ele quem, propagando seus conhecimentos como advogado, freava a divulgação de informações sobre o quadro de servidores da Assembleia. Certa vez, diante da insistência do POPULAR em obter dados das tabelas de cargos e salários, respondeu: “Vai atrás da Justiça”.

Em 2012, Milton Campos doou, segundo prestação de contas oficial da Justiça Eleitoral, R$ 10 mil para a campanha a vereador de Túlio Daniel Isac Carneiro (PSDB), filho do então deputado estadual Túlio Isac (PSDB), que não se reelegeu no ano passado, mas agora é diretor de Comunicação da Assembleia.

Milton era “detentor de grande força política no cenário local”, aponta o MP na denúncia. Chegou a receber R$ 160 mil a mais que um deputado estadual em um ano, ainda de acordo com as apurações do MP. Os rendimentos dele na Assembleia saltaram de R$ 157 mil em 2010 para R$ 427 mil em 2011 e seu patrimônio triplicou em dois anos.

Com tamanho poder e uma ampla rede de relacionamentos/aliados, Milton tinha respaldo mesmo para bloquear as sucessivas tentativas de acesso a informações tanto de servidores como de contratos da Assembleia. É bom lembrar que a Poltergeist também identificou suspeita de fraudes em licitações, compras e contratos.

Ao longo de sete anos, o esquema de desvios cresceu e o Legislativo elevou seus gastos com comissionados sem que houvesse medidas mais rigorosas do TCE, órgão responsável pela fiscalização e punição em caso de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A leitura do conteúdo das denúncias do MP sobre todo o esquema deixa um gostinho de “quero mais” – indica que há muito a se revelar.

Embora tenha havido grande redução no quadro de comissionados da Assembleia, a quantidade ainda é alta – é a terceira maior do País, ficando atrás apenas do Piauí e do Amapá, segundo revelou ontem reportagem do POPULAR. São 2.564, sendo 1.261 da área administrativa, contratados pela presidência, e 1.303 nos gabinetes dos deputados.

Além de serem viáveis novos cortes, como mostra a comparação com outras Assembleias do País, a Casa avançaria também se adotasse novas medidas para ampliar a transparência, como a informação sobre onde estão lotados os servidores. Hoje, para se ter acesso a dados como este, é preciso abrir cada um dos nomes dos servidores, informar dados pessoais de quem faz a consulta e entrar com senha enviada por SMS.

Na semana passada, o presidente Helio de Sousa disse que a medida está em estudo e pode ser autorizada este mês. Tomara.

E agora? Será que Fabiana também é uma viúva? Será que o  prefeito vai estumar o Cesar da PC nela de novo como já ameaçou no Twitter? Será que o padre fantasma vai exorciza-la?

Aguardemos os próximos capítulos, agora com divulgação em nível estadual e em um jornal de credibilidade!!!

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